• Jéssica Alvarenga

Você é seu próprio padrão de beleza

Por que estamos em constante insatisfação com nosso corpo e numa busca infinita para alcançar a felicidade através de um padrão de beleza ideal?

Já falamos aqui na Brisa que cada pessoa tem sua opinião sobre o que considera belo. O conceito de beleza é relativo aos olhos de quem vê e parece que de uns anos pra cá nós paramos de descobrir a beleza sozinhas… Com nossas vidas hiper conectadas, nosso gosto estético se assemelha muito ao que consumimos, principalmente, via internet. Não é uma coincidência! É por isso que estamos sempre tentando distorcer nossa própria imagem através de uma busca obcecada pelo corpo perfeito, a pele perfeita e o cabelo perfeito, etc. O problema é que essa busca pela perfeição estética se torna um ciclo vicioso e incansável para todas nós. Você já parou para se questionar como surgiu esse comportamento patológico presente em boa parte das mulheres?

O padrão de beleza estético e comportamental feminino é resultado de uma sociedade patriarcal e objetificadora. A beleza, desde a Grécia Antiga até hoje, esteve associada a objetos de desejo/consumo, como pinturas, casas, esculturas, etc… E na história da humanidade, a beleza também sempre esteve ligada às mulheres. Em 1970, a Constituição Portuguesa considerava a mulher como propriedade do marido, depois dos filhos e por último do pai... Nunca dela mesma. Que fardo viver com essa herança! Não obstante ser fruto dessa sociedade patriarcal, o padrão de beleza sempre foi definido pela classe hegemônica, detentora do poder. O bonito, até pouco tempo atrás, sempre foi a tendência nas classes apoderadas.


Infelizmente, a moda carrega uma enorme responsabilidade sobre esse assunto. A noção estética de magreza começa a surgir nas décadas de 50 e 60, mas é nos anos 80 com o “boom” das Top Model - brancas, loiras, altas, esguias e tonificadas - que isso passa a ser afirmado em todas as mídias como padrão de beleza estético. Por muito anos, o setor da moda alegou que tais características funcionavam melhor na passarela, pois “a roupa veste melhor e isso facilita a visualização”. Essa justificativa nada mais é do que um absurdo! O padrão corporal das modelos não representa a grande maioria das pessoas que vão vestir essas roupas no dia a dia. Sempre existiram diferentes padrões corporais dentro das populações humanas, por que, então, até pouquíssimo tempo atrás só existia um único tipo de corpo na passarela e nos veículos de comunicação? O que é considerado padrão de beleza, na verdade, representa uma pequena parcela da população, ou seja, o padrão não é padrão!


A constante busca por um padrão de beleza que não é nosso, muitas vezes, cria um ciclo negativo de insatisfação e insegurança com a nossa auto-estima, que, por consequência, não nos permite seguir um caminho de auto aceitação e autoconhecimento. Uma análise simples e bastante empática para identificarmos e respeitarmos a nossa própria imagem é observar, sem julgamentos, como são nossas mães e avós… Ali está toda a natureza do nosso próprio padrão de beleza. As diferenças irão sempre existir, o que precisamos entender é que elas são singularidades e não defeitos do nosso corpo-casa.


O culto ao corpo perfeito cultivado pela propaganda e agora, principalmente, no Instagram, faz com que hoje, no Brasil, 77% dos adolescentes se considerem imperfeitos e meninas de 4-5 anos já apresentem insatisfações com seus corpos*. Nosso país também é uns dos que lidera o ranking de cirurgias plásticas no mundo. Todas temos o direito de mudar alguma coisa no nosso corpo, mas devemos tomar muito cuidado para não usarmos nossa liberdade para servir a uma opressão estética. A busca para alcançar o corpo ideal com a intenção de sermos felizes, na verdade, só nos torna cada vez mais propensas a desenvolver transtornos… Não devemos existir para agradar o senso estético de ninguém que não seja o de nós mesmas!


Se sentir linda como você é é um sentimento que precisa germinar de dentro - do seu corpo - e florescer para o mundo! O caminho do auto pertencimento é uma escolha profunda e extremamente potente, que requer tempo, atenção e muito cuidado!



Ser bonita é se perceber, se escutar, se amar e estar satisfeita com suas escolhas de vida. Beleza não é sobre estereótipos, mas sobre se sentir plena, se sentir segura, respeitar suas próprias necessidades. Beleza não é só algo que se vê, mas sobretudo algo se sente! É toque, é cheiro, é cor, é gesto, é palavra! Beleza é você conseguir fazer da sua vida o que você realmente quer. É você se sentir bem onde quer que você esteja. É, através da empatia, buscar o melhor em você. Beleza é se amar sem permitir que outra pessoa influencie esse sentimento! O amor próprio é você pertencer ao seu processo!




"Não tem um animal que não seja bonito.

Se você não acha ele bonito, talvez seja porque você não tenha entendido a beleza dele."

Valter Hugo Mãe

Brisa - Jéssica Alvarenga


S O B R E A A U T O R A

Jéssica Alvarenga

Bióloga, estudante de design de moda, estagiária na Brisa, apaixonada por trabalhos manuais e artesanais, entusiasta de sustentabilidade e ativista por um futuro mais consciente.



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